quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Quilombolas

Filhos de uma diáspora, os negros vieram para o Brasil na condição mais humilhante a que um ser humano pode ser submentido: Como escravo! Na luta para sobreviverem com dignidade, formaram os quilombos! As comunidades quilombolas contemporâneas, são remanescentes desses quilombos, aquelas repúblicas de homens e mulheres livres, formadas por escravos que fugiram do cativeiro e partiram para lutar por uma vida com liberdade.
Estudar, registrar e divulgar essa resistência é fundamental para nós, brasileiros. Poucos são os povos do mundo que tem nas suas origens uma diversidade como a nossa, e nesse nosso país mestiço, a raiz africana é quem dá o tom.
(Baseado no livro Quilombolas - Tradições e Cultura da Resistência.)
Quilombola Barra do Brumado visto da província do Mato Grosso a 1600m de altitute
"Os povos africanos e seus descendentes eram detentores de uma forte cultura espacial, fato facilmente reconhecido pelas localizações de difícil acesso escolhidas para implantação dos quilombos. 
A organização territorial do quilombo dependia da localização geográfica estratégica, em regiões de topografia acidentada, como chapadas, serras, ou vales florestados e férteis com sistema de vigilância nas áreas altas." ( Extraído do livro Quilombolas - Tradições e Cultura da Resistência.)



Conta-se na região, que no século XVII, quando um navio negreiro naufragou no litoral sul da Bahia, onde hoje é conhecido como Itacaré, os africanos que sobreviveram fugiram para costa e continuaram rio acima em busca de segurança. O rio em questão é o rio de Contas, que nasce na chapada diamantina e deságua em Itacaré. Ao se sentirem seguros, se estabeleceram às margens do rio Brumando, afluente do rio de contas, cultivando a terra e caçando. Com a chegada dos bandeirantes na região em busca de ouro, o paulista Sebastião Raposo Tavares, re-escravizou os africanos obrigando-os  a trabalharem no garimpo e construírem uma vila a 1500m de altitude, que hoje é o distrito de Mato Grosso.


Estrada de barro que nos leva ao Quilombola Barra do Brumado




Quilombola Barra do Brumado 


Quilombola Barra do Brumado
Quilombola Bananal
Praça principal do Quilombola Barra do Brumado, com Igreja ao fundo
Quilombola Barra do Brumado
Quilombola Barra do Brumado

O artesanato dos povos quilombolas no país se caracterizam pelo traçado da palha, modelagem do barro, manuseio de pedras, madeiras e metais. No entando, essa herança africana, nos quilombolas de Barra e Bananal, sucumbiu ao bordado e ao chochê, ambos de origem européia.
Atividade comunitária no quilombola Barra do Brumado
Atividade comunitária no quilombola Barra do Brumado
Centro comunitário do quilombola Barra do Brumado
Quilombola Bananal
A comunidade trabalha a terra precariamente conseguido apanas a subsistência. - Quilombola Barra do Brumado
O secular carro de boi ainda se faz presente no cotidiano dos quilombolas
Cozinha de uma cassa quilombola, já com equipamentos modernos 
Típico forno a lenha de uma cozinha quilombola
Quintal de uma casa no Quilombola Barra do Bananal
Pescaria ao amanhecer no rio Brumado. Quilombola Bananal
Quilombola Bananal. Pico do Itobira ao fundo, com 1970m acima do nível do mar
Quilombola Bananal
Morador da Barra
Moradores do Bananal
Morador da Barra
As irmãs Coló e Dudu, as mais velhas do quilombola Barra do Brumado

A dança do Bendengó, onde as pessoas, aos pares, brincando ao ritmo da música circulam uma atrás da outra como numa roda, de repente, a da frente se vira e bate com as mãos nas mãos da parceira, e gritam o Bendengó!



Apesar da pouca preservação da memória ancestral, as comunidades de Barra e Bananal, ainda conseguem preservar a dança do Bendengó.


A Dança do Bendengó - Quilombola Bananal
A Dança do Bendengó - Quilombola Bananal
A Dança do Bendengó - Quilombola Bananal
A Dança do Bendengó - Quilombola Bananal
Samba de roda - Quilombola Bananal


A casa de farinha é o local onde se transforma a mandioca em farinha, ingrediente usado na fabricação de vários alimentos, entre os quais o beiju.

A comunidade de Barra ainda mantém a casa de farinha com a moenda comunitária, um dos poucos traços da distante ancestralidade que ainda perdura nessa comunidade.



"A casa de farinha, onde a mandioca é processada, permanece viva nos quilombos, sendo o símbolo de um caminhar junto, o exemplo de que tanto o dia a dia quanto o futuro da comunidade sempre se basearão na sobrevivência desse espaço."( Extraído do livro Quilombolas - Tradições e Cultura da Resistência.)



Depois da colheita da raiz (tubérculo), a mandioca é levada direto da roça para a casa de farinha, onde é descascada e colocada na água para amolecer e fermentar ou pubar



Em seguida, é triturada ou ralada em pilão ou no ralador ou caititu. A mandioca ralada vai caindo em um cocho.


A massa moída  é ensacada...
e levada para prensar

Sendo depois prensada no tipiti (tipi = espremer e ti = líquido, na língua tupi) para retirar um líquido venenoso chamado manipueira (ácido cianídrico).



Nos processos da decantação, do ser lavada, da prensa, e no escaldar no forno, é retirada a manipueira, (manipuera) - líquido venenoso, onde está o ácido cianídrico. Mani - menina indígena e puera - ruim: manipueira é a parte ruim de Mani; no Pará é transformada em tucupi, espécie de molho muito apreciado na cozinha amazônica como o famoso pato no tucupi (GASPAR, 2009).


Uma vez extraído o líquido, a massa de mandioca vai ao forno para ser mexida e torrada. É exatamente essa relação do mexer, o tempo de torragem e a temperatura do forno, que determina a qualidade da farinha.

Forno da casa de farinha
Forno da casa de farinha
A farinha é retirada do forno


Em seguida a farinha é peneirada
Peneirando a farinha
Finalmente a farinha é ensacada e está pronta pra o consumo

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