Filhos de uma diáspora, os negros vieram para o Brasil na condição mais humilhante a que um ser humano pode ser submentido: Como escravo! Na luta para sobreviverem com dignidade, formaram os quilombos! As comunidades quilombolas contemporâneas, são remanescentes desses quilombos, aquelas repúblicas de homens e mulheres livres, formadas por escravos que fugiram do cativeiro e partiram para lutar por uma vida com liberdade.
Estudar, registrar e divulgar essa resistência é fundamental para nós, brasileiros. Poucos são os povos do mundo que tem nas suas origens uma diversidade como a nossa, e nesse nosso país mestiço, a raiz africana é quem dá o tom.
(Baseado no livro Quilombolas - Tradições e Cultura da Resistência.)
"Os povos africanos e seus descendentes eram detentores de uma forte cultura espacial, fato facilmente reconhecido pelas localizações de difícil acesso escolhidas para implantação dos quilombos.
A organização territorial do quilombo dependia da localização geográfica estratégica, em regiões de topografia acidentada, como chapadas, serras, ou vales florestados e férteis com sistema de vigilância nas áreas altas." ( Extraído do livro Quilombolas - Tradições e Cultura da Resistência.)
Conta-se na região, que no século XVII, quando um navio negreiro naufragou no litoral sul da Bahia, onde hoje é conhecido como Itacaré, os africanos que sobreviveram fugiram para costa e continuaram rio acima em busca de segurança. O rio em questão é o rio de Contas, que nasce na chapada diamantina e deságua em Itacaré. Ao se sentirem seguros, se estabeleceram às margens do rio Brumando, afluente do rio de contas, cultivando a terra e caçando. Com a chegada dos bandeirantes na região em busca de ouro, o paulista Sebastião Raposo Tavares, re-escravizou os africanos obrigando-os a trabalharem no garimpo e construírem uma vila a 1500m de altitude, que hoje é o distrito de Mato Grosso.
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Quilombo Barra do Brumado |
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Quilombo Barra do Brumado |
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Quilombo Barra do Brumado |
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Quilombo Bananal |
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Quilombo Bananal |
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Praça principal do Quilombola Barra do Brumado, com Igreja ao fundo
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O artesanato dos povos quilombolas no país se caracterizam pelo traçado da palha, modelagem do barro, manuseio de pedras, madeiras e metais. No entando, essa herança africana, nos quilombolas de Barra e Bananal, sucumbiu ao bordado e ao chochê, ambos de origem européia.
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A comunidade trabalha a terra precariamente conseguido apenas a subsistência. - Quilombola Barra do Brumado.
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Cozinha de uma cassa quilombola, já com equipamentos modernos
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Atividade comunitária - Comunidade da Barra |
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Pescaria ao amanhecer no rio Brumado. Quilombola Bananal |
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Morador da Barra
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Moradores do Bananal
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Morador da Barra
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As irmãs Coló e Dudu, as mais velhas do quilombola Barra do Brumado
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Seu Pedro com seu indefectível pandeiro
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A dança do Bendengó, onde as pessoas, aos pares, brincando ao ritmo da música circulam uma atrás da outra como numa roda, de repente, a da frente se vira e bate com as mãos nas mãos da parceira, e gritam o Bendengó!
Apesar da pouca preservação da memória ancestral, as comunidades de Barra e Bananal, ainda conseguem preservar a dança do Bendengó.
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A Dança do Bendengó - Quilombola Bananal |
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A Dança do Bendengó - Quilombola Bananal |
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A Dança do Bendengó - Quilombola Bananal |
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A Dança do Bendengó - Quilombola Bananal |
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Samba de roda - Quilombola Bananal |
A casa de farinha é o local onde se transforma a mandioca em farinha, ingrediente usado na fabricação de vários alimentos, entre os quais o beiju.
A comunidade de Barra ainda mantém a casa de farinha com a moenda comunitária, um dos poucos traços da distante ancestralidade que ainda perdura nessa comunidade.
"A casa de farinha, onde a mandioca é processada, permanece viva nos quilombos, sendo o símbolo de um caminhar junto, o exemplo de que tanto o dia a dia quanto o futuro da comunidade sempre se basearão na sobrevivência desse espaço."( Extraído do livro Quilombolas - Tradições e Cultura da Resistência.)
Depois da colheita da raiz (tubérculo), a mandioca é levada direto da roça para a casa de farinha, onde é descascada e colocada na água para amolecer e fermentar ou pubar
Em seguida, é triturada ou ralada em pilão ou no ralador ou caititu. A mandioca ralada vai caindo em um cocho.
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massa sendo levada para prensa |
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massa sendo prensada |
A massa é prensada no tipiti (tipi = espremer e ti = líquido, na língua tupi) para retirar um líquido venenoso chamado manipueira (ácido cianídrico).
Nos processos da decantação, do ser lavada, da prensa, e no escaldar no forno, é retirada a manipueira, (manipuera) - líquido venenoso, onde está o ácido cianídrico. Mani - menina indígena e puera - ruim: manipueira é a parte ruim de Mani; no Pará é transformada em tucupi, espécie de molho muito apreciado na cozinha amazônica como o famoso pato no tucupi (GASPAR, 2009).
Uma vez extraído o líquido, a massa de mandioca vai ao forno para ser mexida e torrada. É exatamente essa relação do mexer, o tempo de torragem e a temperatura do forno, que determina a qualidade da farinha.
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Forno da casa de farinha comunitária |
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Saindo do forno a farinha é peneirada
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Finalmente a farinha é ensacada e está pronta para o consumo |
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